memória

21 julho, 2017



Aquela música do Chico "Tanto mar" a passar na jukebox do café Estádio. E aquela sensação estranha de não ter passado nenhum tempo, entre aquela música, a revolução, e o Portugal de 2012.

padrão-colecção

06 julho, 2017



houve festa na moradia

24 junho, 2017


turismus II

09 junho, 2017




No espaço de dois dias já ouvi duas pessoas a queixar-se da proposta de lei que fará com que o Alojamento Local seja sujeito à autorização dos condomínios.

Parece-me cada vez mais uma cegueira generalizada. Eu não quero viver em cidades-fantasma, em que as pessoas locais desaparecem para os subúrbios, ou até para outras cidades. Não quero também, como a maioria das pessoas não quererá, viver em prédios onde entram diariamente pessoas diferentes, o que certamente gerará um sentimento de insegurança. Também não quero deixar de ver as mesmas pessoas que vejo na minha rua, ou na frutaria, ou no autocarro. Até porque se isso acontecer na escala galopante em que acontece, em breve esses serviços vão-se converter apenas em serviços de valor mais alto, pensados apenas para o segmento do turismo.

A única forma de conter o turismo num elemento agregador e não destruidor do tecido social de uma cidade (que é também preservar aquilo que a maioria dos turistas procuram nas cidades portuguesas) será uma regulamentação atenta não só da construção de hotéis mas também da regulação do alojamento local, um negócio que se tornará uma selva, não tarda muito.

Há muitos mais argumentos para esta questão, mas basta pensar a próxima geração, a querer viver ou estudar nas cidades, terá que alugar apartamentos a preço muito inflacionados pela desregulação absoluta do turismo local. O que fará com que tanto os estudantes como as universidades progressivamente abandonem os centros urbanos (o que aliás, já acontece). Sem jovens no centro e sem famílias (que não podem comportar o custo de vida na cidade), restam-nos apenas os serviços, o entretenimento e os turistas. Ninguém vai querer visitar uma cidade feitas de e para turistas, e aí, rebentará finalmente a bolha do El Dourado do turismo de massas... Esperemos que já não seja muito tarde para a podermos reclamar de volta.

as cores do Porto

11 maio, 2017

colors

como nunca as imaginamos.

saudinha, saudinha é que é preciso!

10 maio, 2017

Efeito risogravura #porto #tipografia

Aquele comentário precioso de todas as velhinhas que ouvimos toda a vida, e que é realmente verdade. Porque é o essencial. Porque sem saúde (física ou mental), mudamos irremediavelmente a nossa vida e a das pessoas que nos rodeiam.

Não há epidemia que não leve consigo de arrasto o amor como o conhecíamos.

coleção-padrão

coleção-padrão

31

10 abril, 2017

31 outra vez

foto da *L

da Tradição e do Autêntico

23 março, 2017

Casa Oriental  #vscocam #vscocam #igersportugal #igersopo #comerciotradicional #Porto #latergram #um365
"(...) É tradicional aquilo que se diz que é para os efeitos pelos quais se diz que é e porquê. É uma definição como outra qualquer. Serve ao mesmo tempo para falar das coisas e, sobretudo, a partir das coisas na demanda de outros assuntos que assim se vão insinuando. Quando alguém quer dizer a alguém que a sua condição é um pouco mais sofisticada, dir-lhe-á, por exemplo, sabes, descobri este lenço naquela loja muito antiga, muito tradicional que há naquela rua onde ninguém vai. O outro, se perceber, responder-lhe-á, sim, sim já sei, é aquela loja que compra os restos de colecção da Zara. E pronto. Diz-se também que o tradicional é autêntico. Outra vaca no milho. Autêntico é tudo o que existe porque basta isso para lhe atestar a autenticidade, seja uma falsificação de uma pintura conhecida, seja um porta-chaves com o Monstro do Lago Negro."

Álvaro Domingues
Casa Oriental: Chá, Café e Chocolate

Delicadezas

20 março, 2017

pétalas nas árvores

//antes//


A saber:
a perda, tal como
um homem
é uma coisa sozinha
sem dono. A tê-la,
nossa,
é também
de sofrer sozinhos.

Nunca partilhamos as perdas,
nem as partidas.
Só o fôlego
desse intervalo magro
entre largar a mão
da tua presença.

_

Saber aquilo que me
mirrava
no peito
mas também no centro
do coração:
uma estrela
tão grande que
crescia sem pontas,
só brilho.

_

Se acordo
de um sopro,
adormeces
naquele
segundo emprestado.

O amor só
suga
o único ar intransmissível.


Junho 2015

Delicadezas

19 março, 2017

wood

//depois//


Até o meu cabelo, apostado em
não crescer
anos a fio
parecia brotar
do cucuruto, e da nuca,
louco em longuras
depois que te deixei.

_

E as falas claras e concisas
das conversas
a ficarem para trás,
só um susurro
entre-dentes
no passado.

_

E os gestos
infinitos
sempre os mesmos,
a serem agora
revistos
pela mãos
novas que fiz.

_

Até os olhos,
depois de te deixar,
são mais
fáceis agora
e sem
aquela tristeza
que era da
indiferença.

_

Depois de te deixar
voltei a fotografar as mesmas
imagens que conhecia antes
de saber
quem eras.

Será que nunca soube
de ti
por causa das imagens
velhas?

_

Ficarmos
ocos
por dentro
nunca é
uma opção.

É um desvio.

_

É para ficarmos
a saber
que o amor
nos rouba (sempre)
à poesia.


Junho 2015